Cristianismo & Rotina Prática

Thais Rocholi é a autora do Blog Meditar das Boas Novas, o blog sobre vida cristã e doutrina. Ela é podcast da Radio Tempo & Educação.

Thais mora no Rio de Janeiro, Brasil, é autora de livros e revisora independente.

Preceitos do temperamento de Jesus

Na Páscoa de 2021, o Príncipe de Galles gravou o poema de Gerard Manley Hopkins, onde o mesmo foi professor, dando muitos louvores a Deus pela “marca de todas as coisas” que enchem o mundo com uma variedade gloriosa. É claro que ele inclui as personalidades humanas em sua lista. As pessoas têm dons, inclinações, interesses e abordagens de vida extremamente variados.

É muito comum ouvirmos comentários sobre as qualidades das pessoas: “Posso ver a alegria radiante nessa pessoa!” “Essa paz que ele transmite é inacreditável!” “Meu Deus! Como você consegue desenvolver assuntos complexos tão rapidamente?” E da mesma forma que vemos toda essa natureza geográfica tão diferenciada de norte a sul, de leste a oeste, as culturas que formam as civilizações, precisamos valorizar o essencial.

Embora cada pessoa seja única, vamos razoavelmente fazer um resumo dos temperamentos que formam a personalidade de Jesus.

A teoria dos temperamentos é sim muito antiga. Foi enunciada por Hipócrates, o grego considerado pai da medicina. Hipócrates caracterizou os temperamentos como: sanguíneo, colérico, melancólico e fleumático, a partir dos “humores” do corpo.

Não é raro que muitas pessoas atribuem à alguns desses temperamentos uma característica depreciativa, como se tivessem necessariamente conotações negativas. Conheci pessoas que dizem odiar seu próprio temperamento ou já desejaram que fosse diferente.

Uma maneira de conhecermos melhor a mente de Deus é buscando maior apreço por como Ele nos projetou com toda a sua soberania, nos equipando para funcionar de forma gloriosa à seu próprio modo em Seu mundo. A autoavaliação que fizermos daquilo que recebemos de herança, nos ajuda a adquirir maior autoconsciência e a compreensão do impacto do temperamento em nossas vidas.

Na vida de Jesus, vemos todos os quatro temperamentos, sobretudo, perfeitamente santificados.

Para começar vemos em Jesus o temperamento melancólico, daí em diante, Ele era “um homem de dores que conhecia profundamente o sofrimento”, mas nós o vemos santificado e livre de toda mancha de pecado, tanto que era calmo e ponderado, cuja transmissão da paz se manifestava no amor de Deus, conforme vemos em Marcos 14,  Marcos 15:34  e João 11:34-36.

Ao pensarmos no temperamento fleumático, percebemos que não há lacunas na constituição humana, nem na vida terrena de Cristo. É comum vermos a calma, a paz e o silêncio centrado na vida dele sem o risco de tédio, como descrito em Lucas 5:16. As características de excelências do temperamento sanguíneo podem ser encontradas em João 15:7, João 14:15 e João 6:40, quando expressava sua prontidão e sua confiança.

E assim, além do mais, para revelar energicamente aquilo que se contrapunha a Verdade sobressaía-se o temperamento colérico santificado. Em Mateus 23, vemos que os hipócritas enganadores do povo são chamados de “sepulcros caiados”. Mais tarde, Ele chama os escribas e fariseus de “hipócritas”. Parece pouco? Sua vida demonstra toda a firmeza, energia e decisão desse temperamento.

O segredo dos quatro temperamentos que formam a mente de Cristo é que há provisão para a santificação em sua obra redentora. Na cruz, Ele ofereceu sua vida, sacrifício perfeito e suficiente, oblação e satisfação pelos pecados da humanidade. Ele ali experimentou a morte não por um temperamento só, ou por uma classe, ou por uma nação, mas para cada ser humano, seja cada indivíduo melancólico, sanguíneo, fleumático ou colérico. E como Ele morreu por todos, também vive para interceder por todos os que se entregam a Ele e desejam ter um caráter transformado.

Para o colérico, Ele prescreve, por Seu exemplo e em Suas palavras, o espírito de amor, etc. Para o sanguíneo, Ele diz em Lucas 14: 28-30 que, se desejar construir uma torre, deve sentar-se primeiro e calcular o custo, etc. Para o fleumático, Ele diz em Lucas 9:23-26: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo”, etc. Para o melancólico em Mateus 28:20, Hebreus 13:5, Apocalipse 3:20, que anseia por simpatia, Ele diz: “Veja, estou aqui com você“, temendo as dificuldades e perigos de uma vida terrena, Ele diz: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.”(João 16:33).

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