Crenças orientais.

Por Thais Rocholi

A Europa descobriu que as regiões mais remotas poderiam lhes ensinar muitas coisas. Assim, no século XVIII por lá, era muito comum haver Chinoiserie, próximo aos canais dos mais pitorescos possíveis com as construções de casinhas de chá em estilo rococó. A literatura do fim do século XVIII regorgitava encontros românticos com mulheres de trajes flutuantes de seda chinesa  para saborear tão solenemente o caríssimo chá da China. Nessa época, os europeus brincavam de ser chineses a tal ponto que a onda chinesice se alastrou por toda Europa e o mundo.

Você já parou para pensar na ponte do Brooklyn tão linda quanto o Taj Mahal? Sem prejuízos de qualquer espécie, essa ponte é até bem mais imponente.

Hoje vemos que a China se tornou uma grande potência mundial e a cultura ocidental tem sido minada cada vez mais. A presença das religiões orientais com adoração à deusa da misericória Kuan Yin que enaltece uma espécie de tolerância rudimentar é bem mais eficaz na aparência do que os navios de guerra, a dinamite e as bombas nucleares.

Infelizmente, os nossos antepassados que tanto desejaram usar aquelas roupas chinesas, ignoravam a história da China e tudo o mais que vem deste país. Acolhiam, sem nenhuma objeção tudo o que viesse dessa terra de mistérios. Os comerciantes, em especial, os mercadores sabiam que tinham encontrado os clientes ideais que não sabiam diferenciar um vaso autêntico de uma imitação moderna.  

Em 1966 com a Revolução Cultural, Mao, contando com a juventude do país queria expurgar o PCC de seus elementos “revisionistas” e limitar os poderes da burocracia.

Os famosos “Guardas Vermelhos”, grupos de jovens chineses inspirados nos princípios do Pequeno Livro Vermelho, tornaram-se o braço ativo desta Revolução Cultural. A juventude foi encorajada a questionar qualquer hierarquia, em particular a hierarquia do PCC então no cargo. Os intelectuais também foram humilhados publicamente, mandarins e elites desprezados, muitos valores culturais chineses e novos valores ocidentais foram denunciados em nome da superioridade do povo e de seus direitos. O aspecto cultural dessa revolução consistiu, por exemplo, na erradicação dos valores tradicionais.

Hoje a educação ocidental vem sendo reconfigurada pelo ecumenismo, que tem sido misturado a educação que damos à nossas crianças. Não podemos deixar de falar que coisas desse tipo não forma uma mentalidade científica, mas do senso comum. O espírito da montanha está ali. Quem quer que tenha visto uma vez, irá reconhecer! Então, porque você faz tanta questão de adorar uma pedra escura no alto de uma montanha? Esse é o mapa geológico da sua vida?

Você sabe o que existe por trás do Origami?

Diz-se que o papel japonês começou em 610, quando o monge budista Goguryeo Damjing introduziu o método de fabricação de papel junto com tintas. Em 538, o budismo foi introduzido a partir de Paekche junto com as escrituras. Em 701, uma biblioteca foi criada para supervisionar a indústria de fabricação de papel e começou a ser paga como Shirabe. Em Shosoin, junto com o papel da época, há registros de áreas de produção de papel em todo o país. Em 894, os enviados japoneses à Dinastia Tang foram abolidos, e a cultura japonesa progrediu para um estilo mais japonês. O papel, “Washi” nasceu.

Como todos sabem, o papel japonês foi inventado para servir em rituais xintoístas que é raiz do budismo repletos de mitos e lendas para tentar construir uma ideia sobre a origem do mundo e adoração à deusa da montanha, assim, de geração em geração nos rituais de oferendas aos deuses, fazia-se embrulhos nesse tipo de papel. Os kamis (deuses) podem ter as mais variadas formas. De seres humanos aos animais, tempestades, pedras, rios, estrelas e etc.

Não me custa reconstruir os episódios estranhos que se alastraram-se por milênios, a principal divindade do xintoísmo é a deusa do Sol Amaterasu Omikami, que, de acordo com a lenda, nasceu a partir do olho esquerdo do deus da criação, Azanagui. Existem milhares de demônios por trás desses rituais e no xintoísmo, as civilizações megalípticas faziam culto às pedras e conforme conta a lenda, essas entidades são das estirpes lunar e solar. Os monumentos funerários eram construídos para homenagear os mortos e transferir energia e carisma para o sucessor.

As  dobras de papel usadas nos rituais xintoístas como katashiro também se tornaram as mais variadas possíveis, desde formatos de animais até na concentração nos vincos ao embrulhar oferendas e presentes. A cultura do embrulho como talismãs e incensos (dobradura ritual), que se diz ser a raiz do origami, nasceu com o uso de papel diversificado de acordo com a demanda da época.

Os orientais nunca foram submetidos a uma religião desanimadora, baseada na consciência do pecado. Os orientais sempre inventaram uma crença própria e absurda, carregada de espíritos maléficos.

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