” A tentação de St. Antoine,” Felician Ropes, 1878

Por Thais Rocholi

Em quem você confia?

Eu sei que é clichê essa frase: “Sejamos honestos um com o outro, porque nesse mundo não tem alegria, nem amor, nem luz!”

Na vida precisamos falar abertamente com quem nos sentimos à vontade, numa esfera em que você pode revelar seu “eu” mais íntimo, o que é diferente de máscara que usamos em muitos trabalhos, mas você é quem você é, e alguém diferente.

Claramente, vemos que a repressão no jornalismo é um grande problema que se coloca diante da ameaça da nossa liberdade de expressão em desacordo com os conflitos causadores de barbárie na sociedade. E essa repressão causada pela barbárie impõe ao inconsciente da maioria das pessoas uma falsa ideia de quem elas são e a maneira imposta de um novo padrão de valores em suas relações com o mundo.

Vemos uma legião de imbecis formada por cantores funkeiros dando opinião política que se limitava ao público intelectualizado, mas que hoje se tornaram formadores de opinião sem ao menos terem acabado a escola e que atraem manadas como portadores da verdade. Como é possível? Fácil dizer: Um retrato da decadência da sociedade.

Substantivamente, isso significa que a repressão digital é um conceito amplo que inspeciona o uso de técnicas repressivas contra manifestantes digitais (por exemplo, a prisão de blogueiros políticos, cristãos conservadores ou assédio privado e violência contra ativistas online tanto de direita quanto de esquerda). Há muita vigilância digital com o desenvolvimento e implantação de estratégias de agências de checagem de informação destinadas a diminuir os protestos (por exemplo, o chamado Exército de 50 Cent da China).

Por meio de uma tipologia que irei apresentar, argumento que fenômenos tão diferentes quanto campanhas de desinformação online contra jornalistas políticos que tem perfis em redes sociais, não nos demora a perceber como repressão digital.

A repressão e o reprimido requer duas ações entrelaçadas. Vamos pensar no meio pelo qual a mente reprime a matéria insuportável, que também é o caminho pelo qual ocorre a recorrência reprimida. Para ilustrar isso, Freud descreve um conhecido desenho de Felician Ropes no qual vê “um monge asceta buscando refúgio para si mesmo, certamente diante das tentações deste para si mesmo, certamente diante das tentações deste mundo, perante a imagem do Salvador crucificado.” (Freud, 1907, p. 53)

Essa pintura, argumenta Freud, ilustra como é a cruz, através da qual a matéria é repelida, que a traz de volta à vida. Assim, na pintura, “esta cruz afunda diante de nossos olhos, e para o lugar onde a cruz está adiante se ergue um retrato brilhante da mulher nua – toda luxúria da carne.” (p. 52). Como pode ser visto na pintura, o repressivo e o reprimido, a cruz e a nudez da mulher, aparecem juntos lado a lado, ao mesmo tempo, e não como camadas que se cobrem.

Assim, pode-se ver facilmente o paralelo entre essa inconformidade e amargura com o mundo sendo reprimida.

Quando vemos o controle de governos pela força e coerção, é assim mais intenso o incentivo às maneiras preferenciais de expressão e comportamento, como por exemplo, com recompensa às  ONGS, afetando indiretamente no desencorajamento de muitos advogados.

Afinal, há uma espécie de espaço “não temporário”. E um ponto no tempo encarna igualmente dentro dele o passado e o presente, o repressivo e o reprimido.

Sempre que pessoas repressoras se deparam com aqueles que não pensam como elas, a primeira coisa que fazem é reprimir, cancelar, calar, prender… pois são movidos por sentimentos negativos imbuídos de frustrações e desejo autoritário, com enormes dificuldades de se conectarem com o Ser, fazendo de cada momento de suas vidas uma eterna vingança.

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