A vida, a morte e o significado da existência estão interligados, Charles Allan Gilbert  (1873–1929)

Por Thais Rocholi

A essência de um ser, é o que ele realmente é. Você é a sua essência, que coincide com o que há de mais íntimo e quase secreto em sua natureza. Você já se fez a pergunta do que é essencial à sua existência?

Baudelaire em sua obra, As Flores do Mal diz que a essência é também aquilo que pensamos como imutável e eterno em nós, que se opõe à existência transitória e perecível: “Guardei a forma e a essência divinas de meus amores decompostos”.

A relação entre essência e existência surge de forma diferente na concepção de São Tomás de Aquino e Descartes que ressaltam que Deus não foi gerado, Ele é em essência, pois para existir ele não precisa de nenhuma outra realidade. A essência de Deus supõe antecipadamente a sua existência.

Se sua mãe lhe concebeu, você estava dentro do universo de Deus. Não há criação sem regras ou geração espontânea dentro de nós, mas toda concepção segue as leis da natureza que respeita a possibilidade de agir fazendo as próprias escolhas.

Se formos censurar a indignidade que aborda a arte como produzindo seus efeitos a partir da aparência e da ilusão, poderíamos justificar a aparência como aquilo que não deveria ser, atribuindo-lhe uma nova perspectiva. Mas a aparência é essencial à essência.

A verdade não existiria se não aparecesse, ou melhor, não apareceria se não fosse pela expressão de alguém, se não fosse por si mesma ou pela mente transformada. Não há como não constatar que a realidade essencial também aparece no mundo interior e exterior comum. E isso se confunde com o caos das circunstâncias passageiras que se deformam por sensações imediatas mescladas com as harbitrariedades dos humores, incidentes, personagens, etc. A sua realidade é   transformada pelo seu estado de espírito e para isso, é muito importante saber distinguir o sensível do inteligível.

Nas redes sociais, as pessoas aparecem usando roupas e marcas como medidas de sucesso e por várias vezes vi pessoas que não tenho intimidade falando mal das roupas de cores neutras e clássicas que eu costumo vestir. Por qual outra razão vemos tantas bolsas falsas e autênticas com o monograma da Louis Vuitton? As roupas sem dúvidas falam muito sobre você e revelam como  e o que os outros consideram ser sucesso e de que forma é transmitido.

Já fui alvo de críticas por pensar diferente e não me sentir objetificada por ser conservadora e pensar em andar junto numa única missão ao lado do meu futuro marido. Não me sinto objetificada por não ser empoderada, as coisas que valorizo são outras. Também não preciso sentar em bares para beber e me sentir igualada ao universo masculino. Homem para mim é cavalheiro e não me leva para bares, muito pelo contrário, tenho amigos homens solteiros que me levam para restaurantes finos e eles mesmos se oferecem para pagar a conta sem esperar nada em troca.

Faz parte da vida refletir sobre aquilo que é prioridade e rever periodicamente. Precisamos abrir mão de algumas coisas e chegar ao meio termo em relação a outras. Definir a nós e aos outros por aparências não é chato e depreciativo?

Quando ficamos presos apenas nos aspectos sensoriais, querendo ser quem não somos, nos colocamos ao lado das aparências, o que é inadequado para representar o que é estranho a verdade. É preciso libertar a alma da prisão sensorial e despertar nela a reminicência. Não queira encarnar personagens em sua vida, pois a mentira enaltece de forma exagerada as paixões humanas que corrompem o ser humano ao invés de educá-lo.

Se você é o tipo de pessoa que costuma se comparar com outras em redes sociais e não consegue enxergar qualidade em você, precisa rever suas definições de quem você é. Pascal afirma que a vaidade é uma pintura que atrai admiração pela semelhança de coisas, cujo originais não admiramos.

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