Por Thais Rocholi

Existem técnicas de Redação?

“Eu sou contra redação, porque, hoje em dia tudo se subordina a uma fórmula, seguida por todos. Redação, para mim, é uma coisa que foge a essa fórmula, algo que requer muito conhecimento, raciocínio e criatividade. Por isso, eu não me acho em condição de fazer uma redação.” Relato de um estudante.

Escrever é uma arte, inegavelmente! É, nos dias de hoje, o que foi a tempos a oratória, a eloquência falada.

Mais do que em outra época, todas as forças novas do espírito humano se concentram ou se diluem nessa arte.

Todos procuram conhecer e praticar essa arte. Tentam de vários meios, buscá-la de acordo com as próprias necessidades profissionais do momento ou conforme as sonhadas realizações profissionais.

Nessa busca, o aluno acha-se despreparado. Despreparado para escrever, como infelizmente ele próprio reconhece e as provas se confirmam! Vê-se incapaz. Sente-se imaturo e desprovido de condições para pôr no papel as próprias ideias, poucas e muitas. Ideias clássicas, científicas, modernistas e até ultrapassadas nunca tiveram ou sofreram impulso suficiente para tomar forma de escrita.

Falta ao nosso estudante, com raríssimas exceções, a prática de escrever. Prática que conduz ao hábito de redigir. Dessa falta de prática advém a dificuldade, o desinteresse, desse desinteresse, o desencorajamento.  Mil e uma evasivas são dadas! Evasivas, verdadeiras desculpas, tão peculiares aos que nada querem com a redação. E aos que não querem escrever porque não gostam.

Aprimorar-se em português merece dos acadêmicos uma atenção toda especial. Muitos professores acham que alunos tidos como inteligentes se classificam em lugares de destaque no Enem, que apresentam um nível medíocre no processo de expressão e comunicação de suas ideias. As redações desses alunos são provas de falta de técnicas de expressão escrita e da linguagem social. Não passam de fios emaranhados, interruptores das mensagens entre emissor e receptor!

De onde vem essa deficiência? Esses alunos tiveram condições favoráveis ao desenvolvimento das chamadas técnicas de redação? Ou essa inaptidão é fruto de alguma outra deficiência?

O hábito de redigir implica exercícios   e atividades constantes. A falta dessa prática de escrever, coloca a língua oficial num segundo plano. Deduz-se que ela, a língua oficial está à margem da valorização do português. Não gostar de redação é compreensível  dentro da escala de valores profissionais. Reconhecer a sua utilidade já é um grande passo e revela boa vontade.

Princípios de uma boa redação

Uma redação é um processo de comunicação. Todo processo de comunicação envolve um emissor e um receptor. Tanto um como outro devem estar numa escala de vivência comum, a mais estreita possível. Uma vivência que seja social e espiritual. Assim o emissor da mensagem e o receptor entram nesse processo.

E já dentro, vivem, sentem e compreendem a comunicação.

Numa redação deve haver criatividade e mais: a redação deve ser a própria criatividade. Esse poder criador nos é dado. Portanto, já o temos. Saber explorá-lo e estimulá-lo depende de nossa inteligência, emoções e muita imaginação.

Escrever é dar sequência ao nosso aprendizado, levando em consideração as nossas condições vivenciais e a nossa própria capacidade. O entendimento de um texto é primordial da parte do emissor e receptor.

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