O império bizantino, a arte e a igreja

Bizâncio é uma das mais antigas cidades da Europa. Quando, em 657 antes de Cristo, o aventureiro grego  Bizas decidiu erigir uma cidadela numa das 7 colinas que dominam o Bósforo, logo teve-se evidências de que o sítio já havia sido ocupado por 10 séculos, o que nada era de se surpreender, pois a principal estrada de comércio da Europa meridional à Ásia cortava em linha reta o centro dessa região.

Mais tarde, Esparta e Atenas disputaram a posse dessa fortaleza. Posteriormente, os macedônios a anexaram ao seu território e, por fim, ela foi incorporada ao império romano.

A cidade, porém, permaneceu relativamente obscura, longe do centro das atividades para ter importância política.  Como os romanos jamais tentaram penetrar na Rússia meridional e preferiram alcançar o Oriente através de Alexandria, Bizâncio era, na verdade, uma cidade nos confins do mundo.

Tudo isso mudou  subitamente no quarto século da nossa era, quando os acontecimentos demonstraram que Roma já não oferecia aos imperadores um domicílio seguro.  Foi então que o filho ilegítimo de um dos senhores do império e de uma mulher sérvia, nascida num lugar onde hoje fica Nish, capital da Sérvia. Durante a Grande Guerra, após a queda de Belgadro, portanto um homem que mal conseguia dominar um romano cem por cento, considerou Bizâncio o lugar conveniente para fundar uma nova capital que estivesse continuamente à mercê dos bárbaros.

Lançaram o olhar de interesse também para Tróia e Bósfaro, na costa asiática e Sárdica, a presente capital búlgara. Sofia, fundada duzentos anos antes, como posto de observação para vigiar os nativos disseminados nas planícies húngaras.

Catedral de Santa Sofia – Kiev.

Após uma estudo escrupuloso desses três planos, a escolha desse homem recaiu em Bizâncio que ele rebatizou com seu nome: Cidade de Constantino, Constantinopla, como a chamavam os gregos.

Em Bizâncio existia uma corte imperial , uma cidade romana regida por um senado, uma comunidade organizada segundo a tradição de Roma, onde o poder estava nas mãos de um patriarcado, um centro de civilização onde os artistas trabalhavam para o mercado internacional. Já os hirsutos caudilhos do Ocidente bárbaro que fossem prestar homenagem ao imperador adquiriam obras da mais fina joalheria ou um fragmento de marfim  maravilhosamente lavrado, afim de presentearem na volta à terra natal, a esposa ou os santos da sua devoção., em testemunho de que haviam visitado a grande cidade do Bósforo.

Os bárbaros que haviam invadido a Europa ocidental , nutriam convicção ao admirar a arte dos bizantinos. Embora não tivessem o mesmo refinamento à alegria de viver, jovens vigorosos transbordavam de interesse por obter novas sensações.

Quase por um milênio os habitantes de Constantinopla não poderiam prever o destino que lhes era reservado no dia seguinte. A sua pátria era um fragmento de cortiça da civilização, flutuando desoladamente no mar da barbárie.

O instinto de sobrevivência forçava esse estado a defender a todo custo a sua existência independente. Por isso, como em todas as nações fracas, os bizantinos tiveram de se curvar ante o adversário poderoso, que praticava crueldades bestiais.

No interior, o governo pôde se sustentar, graças a um retraimento oriental que o distanciava dos súditos. Como chefe do estado e da igreja, o imperador gozava de poder muito mais amplo do que o dos seus predecessores romanos. Nunca, em tempo algum, eles se julgaram membros da mesma unidade nacional  e a nova crença trazia novas dificuldades e preocupações às autoridades.

Na primeira dessas capitais, as igrejas primitivas sempre haviam sido locais de reuniões a que os fiéis acudiam com simplicidade a participação do partir do pão e o ouvir a leitura da palavra de Deus.  Daí a impressão de sala de assembleia que depois se tornaram em basílicas de rituais católicos, sofrendo enorme perseguição.

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