Thais Rocholi

Cenas de ‘The Battle of the Century’ (1927)

Existe coisas na narração dos costumes do ocidente que, certamente, revelam que muitos de nós assistimos a um filme associando quase que imediatamente à alimentação. A primeira exibição pública do cinematógrafo dos irmãos Lumière, em 1895, foi, inclusive, no subsolo de um café em Paris. E  quanto a isso, podemos ver que a filmografia universal não deixa por menos quando exibe comida como um símbolo marginal ou protagonista da própria narrativa do cinema.

O cinema, em primeiro lugar, visual, ganhou destaque em suas primeiras décadas. É  fácil ver como o cinema fez tanto sucesso através de campanhas de alimentos desde seu início quando a estratégia era a de contar a história daquilo que comemos, tanto de forma naturalista quanto estilizada. O limite quanto a isso, era o de apresentar certas  sutilezas imagéticas.

Além da reprodução em preto e branco, fomos transformados em vorazes devoradores de tudo o que era exibido nos documentários  ou adeptos da comédia “torta na cara”, pastelona, ‘slapstick’, em alusão ao instrumento de efeito prático que colidia dois pedaços de madeira produzindo o som de tapas no teatro vaudeville, que influenciou em boa medida essas primeiras produções humorísticas.

Com o passar dos anos e todo progressismo envolvido na mídia, no século XX não mediu-se esforços para apurar técnicas de filmagem, edição, design, som e narrativa. A comida passou a ocupar lugares dos mais desagradáveis e destrutivos, do trivial ao alegórico. Alguns exemplos disso que estamos falando e que se destacaram foi o erotismo, pesquise ‘Tampopo: os brutos também comem spaghetti’, de 1985, a decadência moral da compulsividade egoística em ‘Monty Python e o Sentido da Vida’, 1983 e o absurdo satírico ‘Dr. Fantástico‘, 1964.

É importante mencionar no famoso filme Dr. Fantástico, de Stanley Kubrick, não foi permitido incluir a comida em seu corte final. A última cena apresenta uma guerra de tortas entre líderes mundiais, na qual mais de 2 mil delas foram usadas ao longo de mais de 10 dias de filmagem, custando à produção cerca de 2 milhões de dólares.

Quanto a isso, acho que ninguém apreciaria a guerra política no filme e logo depois o assassinato do presidente John F. Kennedy, pois continha diálogos que faziam alusão à morte do comandante chefe “por uma torta, no ápice da vida”.

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