Retrato de uma mulher demente ou O monomaníaco do ciúme (também chamado 
A Hiena de la Salpêtrière ), de Théodore Géricault ,
1819–1822,  Museu de Belas Artes de Lyon

Por Thais Rocholi

O amor acontece dentro de um âmbito prático face à potência da vontade humana. Esta potência da vontade nos move a realizar o bem que nos seja conveniente.

Tenho aprendido todos os dias que o amor em essência nos ordena a criar elos profundos e relacionais com as outras pessoas. Portanto, o que se pode dizer é que um relacionamento saudável se baseia em um amor que tem por finalidade desejar o bem para o outro.

Já o amor que não reconhece a ordem de sua essência toma o rumo de várias “doenças da alma”, daí podemos perceber as desordens morais que depois se tornam doenças psicológicas.

A inveja tem sido uma preocupação da nossa civilização, desde os tempos bíblicos até na mídia social que vem impulsionando o consumismo de novas maneiras.

A falta de amor ou o amor pervertido trata-se de distrações acima de qualquer outra coisa mais importante, como uma fixação fútil em cobiçar o banal e, com isso, a pessoa vai perdendo o sentido de sua própria história de vida ou potencialidade.

Em São Tomás de Aquino refletimos que o amor se encontra nas paixões do ser humano que funciona como o desejo das coisas que estão nas disposições da vontade.

Mas qual o rumo que essas paixões tomam? Será o rumo do bem ou do mal?

Quando somos movidos pela vontade de fazer o bem sendo guiados por nosso intelecto ao ponderar o que realmente faz sentido, perseguimos a verdade.

Na verdade, a história é o seguinte, a Bíblia apresenta a inveja como um mal que gera muitos outros males, inclusive a falta de amor. Vemos que a inveja tem rondado a terra desde o Gênesis, quando Caim não se alegrou de ver que Deus se agradou mais da oferta de seu irmão Abel, a consequência foi o ódio que o levou a matar o próprio irmão (Genesis 4).

Deus é reto em seu agir moral, significa dizer que ele censura a inveja e podemos ver isso em seus mandamentos: “Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem nada do que lhe pertence” (Ex 20:17).

O que é mais grave nesse vício da inveja é que esse pecado predispõe a cometer outros pecados. Todos que se preocupam com a inveja ou sentem inveja deveriam ler sobre a história que Natã conta a Davi.

Como não devemos ter expectativa nenhuma de que a inveja acabe, foi por inveja que o rei tomou a mulher de Urias (2 Samuel 12:1-4), que gerou consequências terríveis como o adultério e o homicídio.

Se isso for demais para você, porque se identificou com esse sentimento horrível, as Escrituras Sagradas trazem advertências sobre a inveja: “A inveja leva o tolo à morte” (Jó 5:2); “A inveja é a cárie dos ossos” (Provérbios 14:30); “crueldade do furor, ímpetos da cólera; mas quem pode suporta a inveja?” (Provérbios 27:4).

Só se sente inveja quando se tem uma frustração escondida do desejo de ser superior a alguém, o que não é raro em rede social. Não importa que seja problema de classe média. As pessoas comparam suas posições com as de outras e entendem que têm menos.

São Tomás de Aquino chama a atenção que ninguém sente inveja de quem está longe, mas principalmente de quem está perto. As pessoas invejam a confiança que as outras expressam naquelas que estão mais próximas.

Ser cristão é “alegrar-se com os que alegram e sofrer com os que sofrem”, o que contraria o invejoso que se entristece com a alegria do outro. A inveja busca seus próprios interesses quando tira proveito de uma situação visando algum benefício. A inveja se opõe ao amor, pois o amor “não é invejoso.” (1 Coríntios 13:4).

Deixo aqui algo importante, não tenho nada para ser invejada!

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