Enxurrada em Petrópolis, com efeitos devastadores causados por deslizamentos de terra.

Thais Rocholi

Na madrugada de terça-feira, 15 de fevereiro de 2022, Ana Alice teve um sonho que a marcou muito, o suficiente para contar ao filho Daniel à tarde, pelo celular. Ela sonhou que estava voltando para sua casinha no alto de uma montanha. Onde ela tinha sido tão feliz com seu Paulo e seus quatro filhos — Daniel, Pedro, João e Gustavo.

Nesse dia,o Rio de Janeiro foi pego de surpresa, jamais iríamos imaginar que nossos sonhos pudessem ser soterrados. Clima de angústia e desolação em Petrópolis com devastação de deslizamentos de terra. Os moradores temem o agravamento do número de mortos.

Não há palavra suficiente para escrever o vazio das perdas. As imagens circularam nas redes sociais e na mídia, onde vimos casas destruídas com pedras do tamanho de um carro rolando pelas encostas, com carros levados violentamente pela correnteza.

Muitos comércios foram completamente inundados por água que correu pelas ruas do centro histórico de Petrópolis, arrancando mercadorias, postes, ferragens de pontes e o que mais estivesse pela frente.

Dada a gravidade desse desastre, o presidente Bolsonaro, ainda na Rússia, fez a viagem de volta direto para o lugar da catástrofe. Era uma visão estranha, quase premonitória ao se deparar com um clima de devastação causado por uma guerra.

Estamos na estrada, a vida é boa e de repente… Bum! Não tem como evitar esse jogo de roleta russa que vem causando muita dor e me deixa em clima de tensão!

Essa não foi a primeira vez que se registrou tempestades avassaladoras nos últimos meses no Brasil. Vimos o que aconteceu em Petrópolis como uma repetição do que aconteceu no sul da Bahia no fim de 2021, quando um ciclone extratropical causou grandes estragos por chuvas que várias cidades entraram em estado de emergência e calamidade.

O que dizer de Minas Gerais que também sofreu com fortes enchentes provocadas por temporais no fim do ano passado e no início de 2022. No fim de janeiro, foi a vez de São Paulo sucumbir com a chuva que deixou muitos mortos e grande destruição e hoje até o momento, não se tem previsões de quando a chuva vai parar em Petrópolis, mas o que se diz é que a meteorologia estima 1 mês.

É como uma bomba atômica que cai sobre parte da população. Como se não bastasse a Covid-19 nos últimos anos, agora são os desastres naturais que fazem muitas vítimas e muitos de nós a enfrentar uma forma de luto sem precedentes na história recente. 

As pessoas subitamente foram atingidas pela Covid-19, cujos restos se acumularam a tal ponto que alguns países não sabiam mais como descartá-los e quanto à memória, ela jamais pode ser honrada, somos infligidos com um enorme tapa na cara de nossas sociedades, com desastres e fomentos de guerra.

Todo esse sofrimento com o fim de vida na solidão é uma das perspectivas mais angustiantes da morte, seja qual for a época ou de qual país ou cultura fazemos parte. 

Para ajuda humanitária, o Shopping Park Lagos de Cabo Frio está recebendo doações de medicamentos para dor e ferimentos, fraldas para crianças e geriátricas, além de casacos e roupas de cama.

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