Por Thais Rocholi

As lavadeiras – Abram Arkipov. O quadro retrata  uma categoria de lavadeiras que lavavam várias roupas para uma mesma pessoa.O volume de trabalho era extenso e constantemente corriam risco de lesões: o álcali deixava queimaduras ao entrar em contato com a pele e as mucosas, e as articulações doíam por manter o corpo em uma posição desconfortável por muito tempo, torcer as roupas com as mãos e carregar objetos pesados. Quem aceitava esse tipo de ocupação o fazia principalmente por desespero ou para ficar no cargo temporariamente.

Por muito tempo houve um embate de perspectivas culturais assumindo a minha mente, e ao nos referimos à noção de equilíbrio e reconciliação entre vida profissional e pessoal entramos em três esferas do tempo de nossas vidas, o que de certa forma explica o trabalho remunerado imerso na esfera pública, o trabalho de casa sem remuneração dentro da esfera privada e o lazer tanto na vida privada quanto na vida pública.

Parando para analisar, vemos que aquilo que acontece em uma esfera não isenta as outras esferas da vida de serem afetadas, o que ocorre é apenas um símbolo de um conflito de duas ordens mundiais que ocorre na vida pessoal e profissional.

Embora, eu certamente, não acredite dispor do melhor argumento para todos esses conflitos, tampouco conhecimento altamente especializado. Tenho experiências e percebo as grandes mudanças no mercado de trabalho exacerbadas pela recessão tendo como consequência um aumento fenomenal do desemprego, do emprego precário, do trabalho de meio período e pobreza absoluta. Já não se tem mais espaço no trabalho tradicional, pois o que tem prevalecido com a pandemia são modelos de home office e trabalho flexível.

A crise e todas estas mudanças do mercado de trabalho geraram um alto índice de desemprego e aumento da todas as formas de modelos de trabalho flexíveis que afetam a vida privada dos homens e das mulheres. O misto casa-empresa pode ser um sinal dos tempos, mas não é bem assim.

Os papéis tradicionais das mulheres como trabalhadoras do lar que cuidam de crianças e pessoas mais velhas da família, além das responsabilidades domésticas, ressalto que quando estão ativas no mercado de trabalho, não possuem tanta representatividade no trabalho de meio período, por serem mais flexíveis, mal remuneradas e com um trabalho precário.

As consequências quanto a isso são maior risco de pobreza, enquanto a política de redução de gastos das empresas agravou a situação.

Dois pontos de vistas e dois destinos absolutamente divergentes. Muitos homens que trabalham em ocupações perigosas ou prejudiciais a si mesmos e aos outros, raramente demonstram que estão com medo ou sentem dor, ainda que em alto grau, mas o que dita sua reação é a coragem, sobretudo na frente de outros homens.

Se as coisas não tomarem o rumo desejado, a culpa cai nos líderes, nos subordinados, na falta de recursos, na mão de obra, equipamentos inadequados, treinamento, etc.

Não é surpresa para ninguém que dentro das mesmas condições, as mulheres que exercem atividades feminizadas apresentam uma relação com o trabalho totalmente oposta à dos homens.

É muito comum que as mulheres espontâneas expressem seu medo e seu sofrimento, sem fazer uma separação do sofrimento sentido no trabalho de suas reflexões da vida privada, o que ocorre é uma dominância das inseguras quanto às suas habilidades, além de culparem-se dos erros ou problemas da empresa.

Ora, é verdade que os homens não formam uma categoria social homogênea, não costumam fazer as mesmas coisas que as mulheres fazem e não ocupam o mesmo lugar dentro da hierarquia do trabalho.

As características do homem no trabalho se expressam sem consolo de excesso e ínfimas experiências, mas em termos de força física ou habilidade nos trabalhos manuais, especialmente no que reage a força mental, firmeza de caráter ou no comando e nas profissões intelectuais. Algumas pesquisas revelaram que os homens valorizam o autocontrole, como a capacidade de conter e controlar as emoções e a compostura. Quanto a isso, podemos notar que eles conseguem separar muito bem a vida profissional da vida pessoal.

Literalmente, devemos admitir que mesmo que não lhes perguntemos, muitos homens falam dos efeitos nocivos do trabalho sobre sua vida amorosa ou familiar. Já quanto as mulheres, o que acontece quando exercemos atividades feminizadas apresentamos uma relação com o trabalho totalmente oposta à dos homens.

Trabalhar significa enfrentar diariamente perigos psicológicos como o medo, o tédio, a humilhação, a vergonha, o sentimento de injustiça, a traição das próprias convicções, etc. Se homens e mulheres vivessem continuamente o sofrimento do trabalho, jamais poderiam trabalhar.

Nesse desafio ou escárnio não se pode de forma alguma fazer qualquer alusão ao medo ou ao sofrimento. Eis a disciplina rigorosa para se demonstrar a coragem exterior, dentro de representações que governam os comportamentos e atitudes em relação aquilo que marca a virilidade ou feminilidade.

Um homem que não consegue controlar seu medo ou sua vulnerabilidade é ridicularizado pelos outros, desprezado ou considerado “covarde”, até que ele entre em depressão, peça demissão ou adoeça.

A virilidade no homem é antes de tudo uma defesa que se move contra o sofrimento no trabalho. Acredito que o equilíbrio de poder e a solidariedade entre os homens devem ser erguidos dentro de uma esfera simbólica da realidade.

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