Pintura de Almeida Júnior Família de Antônio Augusto Pinto (1891).

Thais Rocholi

Quando vemos o feminismo radical imperando na sociedade com luta contra o patriarcalismo, também ouvimos a reação de homens que dizem estar “sofrendo” diante de sua identidade como homem e de fato, de seu propósito nas sociedades feminizadas que não querem homens, e pior ainda, dizem que a sociedade pode ser construída sem eles. É o que chamamos de “crise da masculinidade”, ou melhor, “discurso da crise”.

Mas o que é realmente e de que se trata esta suposta crise?

Eu sempre soube que há mais frenesis no mundo com as facilidades para troca de fraldas de marmanjos em banheiros femininos. O inferno está em chamas e olha a minha cara de preocupada! Era o que faltava para deixar muito homem castrado. Ser homem que dentro da tradição passada de pais para filhos que considera valores fundamentais significava atender às necessidades da família e transmitir valores respeitáveis ​​aos filhos tem sofrido um profundo abalo.

E como se não bastasse o empoderamento feminino, o que falar dos “valores” quando muitas mulheres tem o discurso pronto de que homens não prestam, categorizam os valores como “femininos” de modo a sobrepor gentileza sobre a força, diálogo sobre autoridade, paz sobre guerra, com discursos de que só mulheres precisam ser ouvidas, “ordem e tolerância sobre a violência” dentro de uma perspectiva como se as noções de diálogo, tolerância ou gentileza fossem específicas das mulheres. Os homens precisam fazer de tudo para serem mulheres com todo mundo ou serem educados para serem “mulherzinhas” de toque leve de mãos. Em meio a toda essa confusão, os homens são colocados como brutos por natureza.

Para os causadores da “crise”, as diferenças entre homens e mulheres não passam de uma relação binária de oposição: ou é presa ou é predador, ou é fraco ou é forte, ou é passivo ou ativo, ou é mãe ou é guerreira. Pois é, já não basta mais ser mãe, é preciso ser guerreira para sustentar uma prole sozinha. É contra esse padrão que fomenta a luta das feministas que inibem as meninas a não brincarem mais de princesas e o que falar dos meninos: “vocês jamais devem brincar de soldadinhos ou de luta”. O que acontece é que o orgulho do homem em ser homem é pisoteado.

Mediante ao que se ver, felizmente há quem não se conforme com isso, surge discursos fortes de concepção de virilidade dos masculinistas que são aqueles que consideram que uma sociedade muito feminizada os faz sofrer como as mulheres sofrem com uma sociedade muito masculina.

Frente a isso conclui-se que a igualdade só é alcançada quando homens e mulheres passam longe dela, seja em termos de representação em instituições políticas, sindicais, religiosas ou universitárias, seja em termos de relações interpessoais, o que inclui salários e posse de bens. Quando as mulheres aparecem em uma profissão tradicionalmente masculina, não há o que dizer quando vozes se levantam contra a perda de espaços masculinos. Afinal de contas, o objetivo dos masculinistas é frequentemente deslegitimar as demandas feministas.

Na lógica de uma masculinidade convencional fundada na diferença “natural” dos sexos e na superioridade do masculino, qualquer hibridização feminina chega a desmoralizar o masculino. Logo, surge uma necessidade gritante de reafirmar a oposição entre os sexos.

Na verdade, encontrei vários estudos que afirmam que homens e mulheres são, em média, muito mais semelhantes do que diferentes em termos de habilidades cognitivas e físicas. Mas muito cuidado, o que quero expressar nesse exemplo, é simplesmente quanto à valores humanos e não faz sentido atribuir um sentimento ou valor especificamente à feminilidade.

Posso afirmar, que percebo que muitos homens cuidam muito bem de outras pessoas, tanto quanto as mulheres, e se você ainda duvida, vá às unidades militares ou marque uma consulta médica agora!

Não é de hoje que sexismo e racismo ecoam por toda midia, e a supremacia masculina é constantemente associada à supremacia branca. Em todos esses discursos, a masculinidade é definida dentro de um estereótipo limitador.

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