RESUMO

A pintura no estilo Barroco se espalhou rapidamente entre os artistas tornando-se rapidamente universal. Os traços dramáticos, a representação de figuras simples no interior das casas, os autorretratos sem vaidade e a fantasia clássica e mitológica, são encontrados nas mais variadas regiões da Europa no século XVII.

Os artistas da Flandres católica foram influenciados pela pintura italiana, principalmente pelas obras produzidas por Michelangelo Merisi da CARAVAGGIO. A fama do artista rebelde já tinha se espalhado e suas obras com pessoas comuns do povo, dominando o cenário por vezes teatral, impregnado por linhas diagonais, grandes efeitos e contrastes de luz e sombra, chamavam atenção dos mais diferentes artistas.

INTRODUÇÃO

Antuérpia, novembro de 1576. Os soldados do católico rei espanhol Filipe II invadem e saqueiam o grande porto e centro comercial das províncias holandesas. Entre os cidadãos que se põem em fuga está o jurista de renome, conselheiro de poderosos, homem cultivado – Joannes Rubens: Suspeito de protestantismo e  de insurreição, imigra com sua mulher Maria Pypelinckx e um filho para a vizinha Alemanha e recomeça a vida na cidade da Colônia. Em pouco tempo envolve-se num romance de amor com a Princesa d´Orange, e como adúltero, fica sujeito a pena de morte. Maria intervém com abnegação e consegue salvar o marido, ao preço do confinamento de ambos numa pequena região  da Wesfália, Siegen. No dia 28 de junho de 1577, o casal tem o segundo filho, Peter Paul, que passará a história da arte com o maior pintor flamengo do século e o representante do gosto barroco da Europa.

Peter Paul Rubens só viu a terra de onde saíram seus pais aos 10 anos de idade, quando após o falecimento do pai, sua mãe voltou de Antuérpia. A situação nos Países-Baixos era então, menos dramática: a ocupação espanhola não afetava o dia a dia da população, cada vez mais próspera.

Educação

A volta representou também a possibilidade de dar ao menino Peter Paul uma educação no melhor estilo humanístico: filosofia, direito, letras, artes, como merecia qualquer flamengo que se prezasse. Mas o jovem interessava-se tão só, pelas artes, desprezava outras matérias e dedicava todo o seu tempo às aulas de pintura que recebia do paisagista Tobias Vehaeght, aliás parente de família. Tinha 15 anos e uma vontade: ser pintor. A família não se opôs a isso e nem haveria motivo para tanto, num país que se orgulhava da sua antiga tradição cultural. Nos Países Baixos, o ofício de pintor era encarado como qualquer outro, desde que o profissional correspondesse a expectativa dos retratados e entendesse bastante de negócios para chegar a fama e fortuna.

Na objetiva e utilitária visão de mundo do Flanders tanto fazia alcançar a prosperidade pelo comércio marítimo ou pela criação artística. A sociedade harmoniosa progredia em toda a sua plenitude. Os artistas perpetuavam os navegadores ou comerciantes e prosperava à sua sombra, forjadores de riqueza cultural em união indivisível com a crescente riqueza material.

Com 23 anos, inteligente, ávido de saber, cultivado, dotado de boas maneiras e boa aparência, Rubens tinha tudo para que se abrisse as portas das cortes italianas. Assim, não tardou para que Vincenzo Gonzaga, Duque de Mântua, se interessasse pelo jovem artista. Nomeou-o seu pintor oficial, com a vantagem de deixar-lhe bastante tempo livre para que pudesse viajar.

Logo foi para Florença e Roma, demorando-se na Capela Sistina para estudar as técnicas usada por Michelangelo no Juízo Final e por Raffaello nos afrescos. Em Veneza, tinha se familiarizado com a obra de Tiziano, Veronese, Tintoretto, Mantegna, e principalmente, com as pinturas do seu contemporâneo Caravaggio, considerado um dos maiores pintores da época.

Mas quem o influenciou foi a família solene e a ingênua sentimentalidade de Federico Fiori, chamado II Barecci, que lhe sugeriu o virtuosismo colorístico e o dinamismo de formas.

Em 1601, recebeu a primeira encomenda, do cardeal da Áustria. Logo seguiram-se outras, a pintura, porém não ocupava todo o tempo de Rubens. Já em 1603, graças a seu temperamento e à sua simpatia natural, recebeu a primeira missão diplomática das muitas que o acompanharia pela vida afora.

Retrato do Arquiduque Alberto da Áustria, 1615.

O intrigante Duque de Mântua enviou-o a Madrid para que se tratasse de um negócio político com o Rei Filipe III  e seu ministro, o Duque de Lerma, do qual faria então , um famoso retrato.

Em outra missão, Rubens levou a Madrid uma coleção de obras de arte e joias. As aspirações de Rubens vem expressas nas suas cartas: “Quanto a mim, queria todo mundo em paz, para viver um século de ouro, em vez de um de ferro”. De volta a Itália, esperam-no muitas encomendas.

Padres querem que execute a decoração de templos, nobres pedem retratos de suas famílias. Assim, a partir de 1604, pintou o trípidico A Santa Trindade, oferecido pelo Duque Mântua à igreja dos jesuítas, a Transfiguração e o Batismo de Cristo.

Entra em contato com os notáveis da aristocracia italiana e pinta, em Gênova, retratos do Dória e dos Spinola. Mas não perde a oportunidade de prosseguir seus estudos, como conta numa carta. E quando em Roma, reside em companhia do sábio Giusto Lipsio. Ali, em 1606, pinta o altar-mor da Igreja de Santa Maria de la Vallicella, em Gênova, trabalha na Igreja de Santo Ambrósio. É bem remunerado. É famoso.

A anunciação.

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