Alegoria da Prudência, obra de Ticiano. Estão representados da esquerda para a direita: • a velhice (Ticiano) – virada para a esquerda • a idade adulta ou maturidade (seu filho Orazio) – frontal • a juventude (seu sobrinho Marco Vecellio) – à direita. Depois, logo abaixo estão as cabeças humanas que representam as de três animais: • o lobo – voltada para a esquerda • o leão – de frente • o cão – à direita. A alegoria também se refere ao tempo: passado, presente e futuro. Os animais, conforme certas tradições, estão ligados a tais categorias do tempo e à prudência.

Por Thais Rocholi

A vida adulta é realmente desafiadora para muitos de nós e para aqueles que não conseguem aceitar os ciclos de cada estação  de nossas vidas, é impossível evitar a chegada da vida adulta. Mais cedo ou mais tarde, passamos a ajustar nosso estilo de vida para acomodar cada uma das responsabilidades a nós atribuídas. E para evitar os danos físicos, emocionais e mentais de viver como um adulto, é necessário aprender a amadurecer.

A palavra “maturidade” parece importante para todos nós, pois todos nós amadurecemos fisicamente. Se olharmos para nossos corpos, veremos que cada um de nós temos corpos de adultos e isso significa, corpos de homens ou de mulheres. Mas o que exatamente é maturidade? A maturidade é apenas física?

Maturidade é uma palavra ampla que significa plenitude, ou seja, uma atitude que é completa em si mesma, mas aqui o ponto central do nosso pensamento é humano e quando está relacionado ao humano, então em algum lugar temos que acreditar de que uma pessoa não pode ser completamente perfeita, mas pode se aperfeiçoar a cada dia!

Maturidade e imaturidade são palavras associadas à inteligência das nossas emoções que significa basicamente pensar e agir como um adulto. Por outro lado, o contrário acontece quando se pensa e age como uma criança. Em termos mais básicos, uma pessoa madura é alguém que age de acordo com sua idade, enquanto uma pessoa imatura age como se fosse mais jovem do que realmente é.

Não é muito difícil ouvirmos alguém falando: “Você é muito maduro para a sua idade” ou tem aqueles que se sentem insultados por dizerem: “Você está agindo de maneira imatura para a sua idade”. O que exatamente significa maturidade e imaturidade? Por que um é bom e o outro é ruim?

Antes dos 6 anos, quando a criança está aprendendo a falar, ela costuma fantasiar histórias, o que é normal nessa fase. Dentro do que atine ao comportamento de uma criança, não chamamos de mentira porque ela não tem a capacidade lógica de mentir, o que ela fala é totalmente inconsciente. A criança mente para evitar brigas ou por medo de desagradar. Mas, na sua idade, ele ainda não sabe diferenciar entre o bem e o  mal.

Durante a infância e a adolescência, diferentes redes de neurônios se dedicam a servir propósitos específicos, podemos pensar neles como diferentes sistemas cerebrais. Os sistemas cerebrais que regulam as funções do corpo (como a frequência cardíaca) e processam nossos cinco sentidos tendem a se estabelecer muito cedo na vida. Outros sistemas cerebrais, envolvidos em tarefas mais complexas, como comportamento social, passam por transformações mais graduais.

A infância e a adolescência são os dois períodos durante os quais o cérebro passa pelas mudanças mais significativas e é mais receptivo à experiência.

É muito comum vermos no início da infância crianças que compartilham um sonho, um desejo, uma imaginação como, por exemplo, “hoje voei de helicóptero”, o que é algo inconsciente, então, nosso papel é explicar a elas que não é a realidade, que isso acontece por causa da nossa imaginação.  É importante ouvi-las demonstrando que estamos muito surpreendidos pelas histórias que elas contam.

Todavia, uma vez que a criança cresce, com 7 anos, mentir se torna um grande problema por parte delas, pois agora é algo consciente que precisa de uma atenção a mais dos pais na educação, de modo que não se torne um vício que prejudique seu caráter quando adulto. Amadurecer é ser educado a agir com sabedoria e autocontrole.

Um adulto maduro foi educado para ser autoconfiante e ter autocontrole, ao passo que uma pessoa imatura pode preferir depender mais dos outros para sua autovalorização. Isso muitas vezes se dá pela falta de apoio educacional durante a fase da infância, ficando dessa forma, estagnados. Indivíduos imaturos também estarão mais inclinados a ter acessos de raiva quando não conseguem o que querem, repetindo o comportamento da infância. Isso ocorre porque tiveram controle limitado sobre suas emoções quando crianças. É fato, que pessoas imaturas também são mais propensas a culpar os outros, em vez de aceitar sua responsabilidade.

Desde a década de 1960, a maturidade passou por mudanças que nos levam a uma grande preocupação. Nessa época, a idade adulta foi ampliada como o período que significa a verdadeira entrada na vida. Basta ler as famosas obras de Carl Rogers publicadas naquela época nos Estados Unidos, o que conferiu à vida adulta uma perspectiva bem sucedida, otimista e emancipatória quanto à tutela da infância.

Hoje, ao contrário daquela época, vemos o surgimento de novas formas de famílias em contínua reestruturação. As consequências estão em multiplicação de divórcios, famílias monoparentais, desmembradas e reconstituídas, em que os adultos se enquadram em uma vida familiar instável. Dentro da própria família nuclear, composta por pais e irmãos, há dúvidas sobre a composição desejada: heterossexual, homossexual, biológica, parentesco emprestado…

O trabalho também perdeu suas capacidades de estruturação, por ter passado por um grande desafeto. Se de um lado, há exploração por parte dos empregadores por causa do aumento do desemprego nas sociedades, de outro lado há um profundo desamor objetivo dos profissionais pelo mundo do trabalho, você pode comprovar como as pessoas andam sem paciência para ouvir umas as outras e até em alguns aplicativos há o aceleramento de voz para reduzir o tempo de escuta, os hospitais com profissionais que atendem gritando quem chega passando mal ou morrendo, estes são sinais claros de que a sociedade está em crise. Podemos ver também a rejeição subjetiva de adultos que não conseguem se integrar profissionalmente quando aparece uma vaga num trabalho, por considerarem repetitivo e sem status social.

Pretendo dizer o mínimo, pois ao ver o que acontece em nossa sociedade, não tem como ignorar o confronto que há de um apagamento de todas as suas referências de pai, mãe, avô e avó, que conduz a um modelo adulto sem história. Este adulto de hoje parece ter perdido o vínculo com seu passado, com seu nome e suas raízes.

O lema de hoje é: “Se projete”, “decida por si mesmo”, “escolha seu nome”,  “se oriente sozinho”. Qualquer decisão, projeto ou direção de vida é sua, fruto de uma escolha pessoal, tipo de quem nunca foi educado a fazer as melhores escolhas. É daí que vem esse surgimento de que “a vontade é a essência do universo”, tão atada hoje ao comportamento autoritário que não tem outro objetivo, senão em mudar o curso dos acontecimentos.

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