Por Thais Rocholi

De acordo com a sabedoria popular, analisando os anos, a terceira semana de janeiro é a semana que as pessoas se sentem mais para baixo, devido às dívidas que ficaram do ano anterior e a tristeza pelo desvanecimento das lembranças do Natal. O nível de motivação e a necessidade de resoluções de Ano Novo fracassadas contribuem assim para uma sensação geral de mal-estar. Quando pensamos no calendário e olhamos para todos aqueles meses, janeiro pode parecer mais inimigo do que amigo.

Para nosso consolo, existe outro tipo de calendário, outra maneira de marcar o tempo. O Calendário do Tempo Comum, cujo presente para nós, segue o ritmo aparentemente normal dos nossos 24 dias em uma história muito mais rica e duradoura. Alguém já lhe desejou um “Feliz Ano Novo”… no final de novembro? Isso sempre acontece comigo e desde que me entendo por gente, várias vezes por todos os anos. Mesmo sabendo da proximidade do Natal em dezembro e do Ano Novo em janeiro, parece soar um pouco estranho.

Se você é membro de uma igreja altamente litúrgica, como a católica, a episcopal ou a luterana, o que acabei de dizer faz sentido. Por outro lado, os ortodoxos orientais, se leem isso vão achar que o natal comemorado por nós em dezembro é um pouco atrasado, pois o ano ortodoxo começa em setembro e isso inclui várias festas e jejuns que não fazem parte do ano cristão ocidental.

Por exemplo, o que os cristãos ocidentais chamam de Advento, para os cristãos ortodoxos, é chamado de Natal ou Jejum da Natividade, que começa em 15 de novembro e é uma temporada de 40 dias de jejum sério em preparação para a temporada de 12 dias do Natal. Mas se você não está envolvido em nenhuma igreja, é melhor eu explicar o que estou falando.

O calendário cristão, às vezes chamado de ano da igreja ou ano litúrgico, é uma maneira secular que muitos cristãos ordenaram o ano de 365 dias. Depende, não das posições do sol e da lua, nem do início e do fim das aulas, mas está entrelaçada aos aspectos-chave da vida de Cristo que são coordenados com o calendário solar.

Não vamos confundir o calendário cristão com um calendário de listas de reuniões e aniversários de membros de igrejas. Contudo serve para refletir sobre algo mais importante, o ritmo antigo de dias e observâncias. Todas essas grandes celebrações do ano litúrgico no Advento e no Natal e na Quaresma e na Páscoa fazem parte simplesmente do velho Tempo Comum.

Por isso, celebramos momentos muito específicos da vida de Jesus, que para quem não sabe, a origem desse nome vem do grego, traduzido para o hebraico como Josué (“aquele que salva”). “Cristo” (grego: Christos) que foi traduzido do hebraico “Meshiach”(Messias). “Messias” significava “ungido”, onde a unção fazia parte do ritual de coroação de Deus para os reis judeus. “Jesus o Cristo” foi encurtado com o tempo para Jesus Cristo, começando com as cartas Paulinas nas décadas de 50 e 60 do século I d. C.  Quando vivemos essa sazonalidade, estamos imergindo nossas vidas na vida de Jesus, celebrando as estações da igreja.

A princípio, quando pensamos em Tempo Comum do calendário cristão, a designação pode parecer um pouco peculiar, já que a palavra “comum” costuma ser associada a coisas sem importância, insignificantes ou simplesmente chatas. Mas vamos pensar em nossa rotina diária que organizamos em cima dos calendários, por exemplo, o ano letivo é o que vai determinar se é o tempo de estudar ou tempo de descansar, se é o tempo de dormir ou o tempo de ficar acordado para realizar as atividades escolares.

O mesmo ocorre com o mercado de trabalho, sistematicamente, a maioria das pessoas seguem o ritmo ditado pelo ano fiscal do mundo empresarial que nem sempre coincide com o ano civil, pois cada vez mais definimos o nosso ano com um orçamento anual e temos cada vez menos tempo de descanso e tranquilidade por causa da insegurança desse tempo de pandemia.

O calendário cristão no início da Igreja, no século III e IV nos ensina mediante ao que acontece que o tempo pertence a Deus e podemos olhar para o nosso tempo, o nosso ano de 12 meses com uma nova narrativa. O calendário cristão é organizado diante da narrativa de uma revelação de Deus, de sua ação no mundo e em nossas vidas. Assim, como estamos em setembro, estação do tempo presente, limpamos nossos olhos e acordamos com o sofisticado balé dos estímulos de Deus. O ritmo ensinado nesse calendário nos ajuda a abraçar as tensões de nossa realidade dentro da perspectiva dessa grande narrativa.

Raramente não pensamos em nossos projetos de curto e longo prazo, como o mestrado, o doutorado, a viagem internacional no final do ano, a mudança de cidade, então tudo é planejado de acordo com a narrativa de vida daqui. Só que é mais do que suficiente a gente se enxergar dentro da narrativa que Deus está contando na história. Vamos pensar que Deus está numa missão, pois algo já aconteceu e nós estamos caminhando para o futuro. O Tempo Comum enfatiza Deus como o Eterno Agora. Isso nos humilha com a lição de que estamos mais com Deus quando estamos no momento presente.

No Advento, nos preparamos para Deus conosco, no Natal, celebramos Deus conosco e, durante a Epifania, entramos em uma vida com Deus. Na Quaresma nos preparamos para a nossa própria morte e a morte de Jesus, na Páscoa celebramos que ele morreu, ressuscitou e nós com Ele. Já quanto ao Pentecostes e a Maré do Reino, vivemos sua ressurreição e a nossa.

Existem coisas na narração da sazonalidade do meu ano que espero que você deseje adotar. Quem pode festejar o tempo todo sem se tornar um glutão? Quem pode jejuar ou lamentar o tempo todo sem perder a cabeça? Quando nossos dias perdem o dom da gratidão e da celebração, nos tornamos um povo deprimido e moribundo. Assim como as estações físicas estabelecem o ritmo da terra, a estação da igreja pode definir nosso ritmo ao ritmo de Cristo.

Como todas as épocas litúrgicas, o Tempo Comum foi feito para ser vivido! Não somos apenas espectadores da liturgia ou pelo menos não deveríamos ser, quem sabe trocamos o “s” para o “x” a fim de termos maiores expectativas. Somos chamados a ser participantes ativos! Participar do Tempo Comum significa participar da vida cotidiana de Jesus.

Agora, não demoro a acrescentar que nada nas Escrituras exige o reconhecimento do ano litúrgico. Não temos no Novo Testamento nada semelhante a Levítico 25, onde Deus estabelece para Israel os principais jejuns e festas durante o ano. Quanto a isso, embora o ano litúrgico seja estruturado em torno da história bíblica de Jesus, não é uma ordem que está nas Escrituras como os feriados judaicos para os judeus.

Obviamente, os judeus também não devem celebrar a Páscoa da mesma forma que nós. O calendário cristão, portanto, não é algo que todos os cristãos devem observar, ou devem observar exatamente da mesma maneira. Até porque os crentes ortodoxos orientais têm um padrão diferente ao longo do ano e até celebram a Páscoa em um dia diferente! Mas vamos ao calendário:

Advento: quatro semanas. Cor Azul Real

Natal: Doze dias, até a véspera da Epifania em 5 de janeiro. Cor branca

Epifania: Oito semanas, algumas semanas mais ou menos dependendo de quando a Páscoa cair; mais um pouco no início e um pouco no final para nos levar à Quarta-feira de Cinzas para a Quaresma. Cor verde

Quaresma: cinco semanas, mais um pouco no início e uma semana inteira de Semana Santa. Cor roxa

Maré de Páscoa: Sete semanas até o Domingo da Trindade. Cor: Dourado ou Branco

Pentecostes: Uma semana, incluída na primeira semana da Maré do Reino. Cor vermelha

Maré do Reino (freqüentemente chamada de Tempo Comum): Vinte e Oito semanas, algumas semanas a mais ou a menos dependendo de quando a Páscoa cai. Cor verde

Agora me diga, quando começa o seu ano?

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