Biblioteca em Praga, República Tcheca “Túnel de Livros”.

Por Thais Rocholi

Passado três milênios da criação literária, de Homero até hoje, sabemos que há mais obras para ler do que jamais houve antes. Por isso, quero compartilhar com toda humildade minha opinião com você, se quisermos de fato obter um conhecimento cultural, é recomendável recorrer ao Cânone Ocidental. Uma sugestão é utilizar o livro do Harold Bloom da Universidade de Yale, cuja excelência de sua obra, “Poesia e Repressão – o revisionismo de Blake a Stevens”, encontramos uma boa explicação para o que seja o cânone.

Para Bloom, a palavra “cânone” remonta a expressão régua de medir, que em latim, adquiriu o sentido adicional de modelo. Em inglês e em português significa código religioso, lei secular, padrão ou critério, uma parte do culto cristão, ou, ainda, um termo musical para um tipo de fuga, bem como tamanho de uma letra tipográfica.

Você já sentiu uma estranheza em você mesmo ao ler um livro? Quando pensamos na distância que separa o prazer fácil como o funk com uma obra de Montaigne, cada vez mais entram em extinção os verdadeiros leitores. É muito constrangedor, diria que envergonha a cultura de qualquer país, ficamos então sitiados e amedrontados sob as perspectivas do futuro da literatura e da música. Os leitores dedicados de obras clássicas, os fortes e corajosos estão cada vez mais escassos. Talvez essa seja minha nostalgia ou quem sabe o estranho prazer do distanciamento.

O maior problema colocado por Bloom é que de forma pragmática o valor estético pode ser reconhecido ou experimentado, mas não pode ser transmitido aos incapazes de aprender suas sensações e percepções. Jamais devemos brigar por isso. Forçar o prazer literário é impossível.

Penso que dentro dessa impossibilidade está o convencimento de um viciado em Micaretas e Axé imerso em baldes de cerveja a ter algum interesse numa leitura de Shakespeare. Sou elitista por pensar assim? Talvez, mas acredito que Jane Austen jamais iria trocar o mundo da literatura e da escrita pelas músicas das paradas de sucesso. O atraso cultural tem sido uma regra no mundo de hoje, sobretudo no Brasil, país de iletrados, com poucas livrarias e que ainda entregam materiais com baixa tiragem de livros e total desinteresse pela cultura.

Com tantas alternativas de músicas todos os dias, não deveríamos mesmo sentir falta de nenhuma delas. Agora, pelo contrário, como poucas e raras músicas, o que se dirá da clássica? Esta sim é o começo de um prazer difícil, depois vem as peças, os poemas e os romances, todos eles trazendo as perturbações humanas, sendo a maior delas, o medo da mortalidade. Mas posso lhe afirmar que a busca da imortalidade por meio do Eterno na memória da sociedade é o que forja a criação artística.

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