Musas (Mitologia grega).

Por Thais Rocholi

O que eu gostaria de compartilhar são alguns princípios úteis sobre música. Não vou falar sobre o ponto fundamental, como símbolos sonoros de boas habilidades de comunicação que com eficácia ressoam dentro das pessoas. Receio que eu não seja muito útil para falar de um tema tão importante como a música. Mas se você quiser interagir comigo, creio que uma âncora mais forte pode compensar outra mais fraca. Não vamos perder nenhuma das âncoras senão ficaremos expostos ao vento e desequilibrados. Ei! É com você mesmo. Aceito interação por video ou podcast.

Faz sentido para mim nestes estudos que encontramos na origem da arte os personagens Eros e Thanatos. A pulsão de vida inaugura uma relação de muita ambiguidade com a de morte, fazendo ou não uma assimilação da arte como espelho da existência, o que reflete em maior amplitude a sua expressão. Logo, quando Mozart escreve de modo parcial seu Requiem, a perda do outro torna-se, em suas notas, benevolente com a vontade divina, e o entoar dos coros ora repercutem como mensageiros de Deus, em outros momentos como expressão da tristeza dos vivos.

Embora a música tenha sua importância na vida da Grécia antiga, não temos ideia de como essa música realmente ecoava. Somente temos conhecimento de alguns fragmentos pouco notados que sobreviveram, sem nenhuma explicação sobre como restaurá-los. Os gregos faziam muitas especulações teóricas acerca de música. Eles faziam notas musicais e “praticavam música”, como o próprio Sócrates que ao ter uma revelação inspiradora, lhe foi ordenado fazer estas notas.

Tanto Platão como Confúcio, enxergavam a música como um dos conceitos da ética. E, como Confúcio, Platão queria regular as maneiras particulares sobre como usar esses arranjos de notas e escalas, pois sabia que causava alguns efeitos nas pessoas que ouviam.

Platão sabia como ninguém como disciplinar em música, bastava ver a correspondência entre o caráter de uma pessoa e a música que a representava. Nas Leis, Platão tornou explícita sua declaração de que  todo o conjunto de complexidades de  ritmos e melodias deviam ser evitados porque induzem à depressão e à desordem.

Mas quando se trata de música, seu poder ecoa harmonia divina. Já o ritmo e a melodia imitam os movimentos das estrelas e dos planetas. A habilidade de enxergar o contorno da música das esferas era o que refletia a ordem moral do universo. A música terrestre que estimula os instintos primitivos, entretanto, é duvidosa. Platão titubeava acerca de seu poder emocional.

Uma vez que isso é percebido, a música deve ser valorosa ao propósito, pois as qualidades sensoriais de algumas delas oferecem perigo, o que merece impor um pouco de censura evitando os acessos. Algumas soluções podem ser extremas, mas funcionam.

Quanto mais velha, estabelecida e particular uma música, mais universal ela é. Desse modo, a música clássica evoca a magnificência, o desabrochar com os códigos das práticas humanas, o átimo da perfeição, da realização. A música toma o lugar da fala e quem ouve escreve suas próprias letras.

Isso me faz lembrar do que é necessário para sustentar um bom equilíbrio. Música clássica é declaração de amor, pois a sua clareza, simplicidade e presença das cordas oferecem uma aparência de graça repleta de doçura e de prazer.

Se você acha  música “clássica” rígida, ou enfadonha, é porque você precisa buscar um mínimo de informação e dar sua atenção para que ela seja verdadeiramente “ouvida”. Porque antes de mais nada, ouvir não quer dizer que é só se concentrar, mas também se mobilizar em aptidões de memória, sensibilidade, capacidades de análise e síntese.

A música é, portanto, a essência de uma arte no tempo, por outro lado, o que pode ter um pretexto mais caduco e efêmero do que a passagem do tempo? Não tem como evitar, o principal obstáculo para se ouvir música com entusiasmo é que a maioria delas passam e se tornam obsoletas. Toda música só existe quando a percebemos. Então, o que era efêmero desaparece à medida que é produzida e nossa memória começa a trabalhar para reconstituir sua presença  no tempo.

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