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Quadro – O furto das peras e o amor ao desejo de Santo Agostinho

Por Thais Rocholi

O desejo seria uma recaída de uma necessidade? Desejamos a água por causa da sede que temos? Ou talvez devamos presumir o desejo como algo nocivo? Penso em Diógenes e sua repulsa por desejar coisas materiais. Nenhuma satisfação é mais elementar, mais vital para o bem-estar do que o prazer que buscamos nas coisas certas!

Causar desordem é como dilapidar o tempo,  destruir a fertilidade de uma terra,  empobrecer uma pessoa ou restringir seu potencial de criação. Isso significa  a causa da má vontade produzindo o nada.

Mas o que é o desejo?

Santo Agostinho e Descartes articulam a vontade à liberdade. Interpreto o fato de ter vontade como dispor da responsabilidade  de todas as nossas decisões e ações. A vontade consente com a questão moral. Enquanto que ao sermos conduzidos com práticas erradas é um erro para Descartes, para Santo Agostinho é pecado!

E exercer a influência do desejo sobre as inclinações da alma, a vontade passa a determinar a orientação e, portanto, a bondade dos movimentos da alma. Logo, o valor de nossas ações e pensamentos estão submetidas à bondade de nosso amor.

Por que diante de uma visão de um mar suave, por exemplo, surge em nós o desejo de nadar, em vez da indiferença, do desvio de foco, de uma pergunta ou outra manifestação?

Porém, toda coisa, até mesmo aquelas que consideramos serem boas, podem ser resultado de uma má vontade. Toda paixão, até mesmo aquelas que enxergamos como más, podem ser resposta de uma boa vontade.

O desejo é uma consequência de uma necessidade, um desenvolvimento, um elemento espiritual para o projeto humano. Por outro lado, o desejo pode ser a tentativa de suprir uma falta, as vezes o desejo é a falta, muitas vezes o desejo é uma inflamação da alma  em que a junção de vários pensamentos  gerou uma busca. O desejo se apresenta muitas vezes como renúncia, como possibilidade, como morte, o que não lhe impede de ser outras vezes vida e impossibilidade. Está bem, concordo,  impossibilidade é uma palavra forte demais!

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