Por Thais Oliveira

Devo a Leonard Bernstein  essa maravilhosa frase: “A música pode nomear o inominável e comunicar o incognoscível.”

Leonard Bernstein  foi um dos compositores mais influentes da história da música clássica do século XX.

Filosofando sobre a estética, Alexander Gottlieb Baumgarten aponta que o objeto do conhecimento lógico é a verdade. O objeto do conhecimento estético, ou sensual é a beleza. A beleza é o perfeito, o absoluto percebido pelos sentidos. A verdade é o perfeito percebido pela razão. O bem é o perfeito atingido pela vontade moral.

É muito provável que para Baumgarten, a beleza seja definida pela harmonia existente e pela ordem das partes com o todo. Logo, o objetivo da beleza em si é ser agradável  e estimular o desejo.

Quanto às revelações da beleza, é notório que percebamos as mais altas manifestações de sua virtude na natureza, e que,  por isso, a tarefa mais transcendente da arte é a imitação da natureza.

Existe beleza na arte, mas como observou Johann Sulzer, beleza ajustada ao bem. Assim, tudo aquilo que se trata do bem é  reconhecido como belo, uma vez que o objetivo de toda humanidade é o bem-estar da vida social, que é alcançado por meio da educação do sentido moral. Cultivar a arte deveria ser subserviente a esse propósito. A beleza é o que evoca e educa esse sentido. Quando estamos alertas a este despertar, vivenciamos uma riqueza de experiências e compensações.

Leonard Berstein certa vez divagou seus pensamentos sobre as composições arrebatadoras de Beethoven, afirmando que ao termos  a sensação de que a próxima nota é a única certa para aquele instante, provavelmente, estejamos sendo presenteados pelo compositor.

Melodias, fugas, ritmos…

Beethoven possui o dom verdadeiro, o que vem do céu, o poder de nos fazer sentir plenos. Se Deus não existe e se tudo nesse mundo é um acúmulo acidental de átomos, não há propósito algum para o qual fomos feitos,  somos um acidente. E até os produtos de forças acidentais da natureza, que designamos de beleza não são mais do que meras respostas neurológicas a determinados dados. O que se percebe então, é que por mais importante que seja, não passa de uma ilusão. Penso que é improvável que o amor deva ser encarado sob essa luz. Mas se do contrário, formos resultado de forças naturais cegas,  o que designamos de amor, não passa de uma reação bioquímica, herdada de ancestrais que sobreviveram porque essa característica os ajudou a sobreviver.

Arthur Danto, crítico de arte da revista The Nation, numa ocasião relatou que ao direcionar seus sentidos para uma obra de arte, sentiu diversas sensação de “sentido obscuro, porém inescapável”. O resultado disso, é que percebemos que as boas obras de arte não transmitem apenas uma mensagem simples, elas transmitem a sensação de que a vida não é uma história contada por um ser impensante tomado de fúria, sem sentido algum. O que entendemos é que as obras de arte nos irradiam de esperança e  força para seguir adiante, embora não seja possível definir o que nos emociona.

A experiência estética aponta para traços de uma beleza que não vem da obra e nem daquele que a admira, há algo no espaço misterioso, que fala através do silêncio no interior de cada consciência. Será preciso ver neste espaço um traço de algo mais, inalcançável e inexplicável. Este traço belo e misterioso são sinais da realidade de Deus!

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