IMG_8675 (2).JPG
@thaisrocholi – carteirinha de fiscal do meu avô da Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Editores de Música.

Por Thais Oliveira

Fala-se tanto em globalização, mas parando para desatar esse nó, alguns autores preferem falar como um fenômeno da “mundialização”, influência do mondialisation dos filósofos, economistas e sociólogos franceses, sobretudo do economista François Chesnais, autor de “A mundialização do capital”, publicado na França em 1994 e traduzido e lançado no Brasil em 1996.

Globalizar  está associado a alguns fenômenos que aconteceram no início das últimas décadas do século XX, entre os fenômenos  ocorridos, acelerou-se as descobertas no ramo das telecomunicações. Desde a primeira transmissão via satélite, ao som de “All you need is love” com a atuação dos Beatles, diretamente dos estúdios da BBC de Londres e até hoje nas redes sociais.

Com o avanço tecnológico, o ensino já está passando por fortes mudanças com a ação do ciberprofessor. Se formos analisar o que diz o bem-humorado escritor e humorista norte-americano Mark Twain, “um livro grosso e antigo, com fecho, era a melhor coisa do mundo para ser atirada em um gato barulhento”. Podemos acreditar que essa visão está apoiada numa inversão de valores, dado aquilo que aparentemente têm pouca importância  numa obra, seu volume e seu peso. Esta ironia se refere ao contínuo desrespeito sofrido pelo livro.

O peso e o volume, ressaltados por Twain, têm pouco significado, e este tema  está presente na grande mudança que afeta o livro atualmente. Preciso dizer mais alguma coisa? Sim! Para aqueles que nasceram no final do século XX e já com tantos avanços tecnológicos na informática, não deixem de pegar um livro físico, você pode até se sentir estranho, como a displicência de alguns adolescentes de hoje, porém, é um sentimento de estranheza de uma obra de arte.  Embora que com o surgimento das novas tecnologias digitais, tornou-se possível  fabricar livros que acumulam conteúdos de forma alternativa.

Nesses livros “vaporosos”, é possível armazenar conhecimento e informação em quantidades imensas. E o mais interessante, é que estes livros viajam em alta velocidade por toda a internet. A vida moderna nos oferece muito o que pensar e o mundo está mudando rápido demais para que possamos o entender. O antídoto não é parar de pensar, mas pensar em coisas elevadas que proporcione conhecimento significativo quando somos tentados a imaginar. Qualquer pessoa hoje, que tenha manejo com tecnologias pode se tornar um autor!

O principal instrumento capaz de acelerar essa migração para o ciberespaço é o Google, que digitaliza  e disponibiliza mais de dez milhões de livros que estão em inglês, consolidando o idioma como uma forma dominante de expressão.

Essa migração em massa do livro impresso para o ciberespaço traz profundas mudanças em áreas como a cultura e o  seu cultivo. É como se quase todo o conhecimento relevante da humanidade que, no passado, era selecionado e aprisionado em poucos lugares, por causa da sua virtude de peso e volume, de repente se espalhasse pelo mundo.

Alguém, como eu, que viaja muito para os interiores do Brasil, quando deseja se distrair lendo ou ouvindo um romance canônico que em seu significado, talvez possa até  soar estranho para alguns, dada às suas características originais ou que não pode ser assimilado ou que nos assimila de tal  forma que não achamos mais estranho, começamos a observar que já não precisamos mais carregar um livro ou um CD na mochila. Para ficar mais fácil, baixamos tudo pela internet.

Assim, Pierre Levy relata em seu livro “As tecnologias da inteligência” que nossa maneira de pensar e conviver estão sendo concebidas no mundo das telecomunicações e da informática. As relações entre os homens, o trabalho, a própria inteligência dependem, na verdade, da metamorfose incessante de dispositivos informacionais de todos os tipos. Escrita, leitura, visão, audição, criação e aprendizagem são capturados por uma informática cada vez mais avançada  e complexa.

Não faz muito tempo, o professor era o detentor do saber, por ter em mãos o livro e falar aos seus alunos a partir dele, de uma hora para outra, desperta, subitamente, num terreno mais ou menos seguro. Sua missão agora é fazer com que os alunos passem a dominar saberes. Na era digital, este conhecimento não está mais centralizado na figura do mestre. Apesar de que existe um grande dogma associado ao bom mestre.  Mas considere que por conta do excesso de informação, é necessário pensar em uma nova função para o professor, além de detentor e transmissor de conhecimento. Deixemos o mestre ser mestre!

O professor deve se reinventar como maestro e assumir, prioritariamente, a função de orientar o aluno sobre onde encontrar a melhor informação e organizá-la para atender às necessidades do bom ensino.

%d blogueiros gostam disto: