Desabamento da barragem em Brumadinho -MG

Por Thais Oliveira

Semana passada nos deparamos com uma lastimável e impensável notícia sobre o desabamento da barragem da Vale causando a morte de centenas de habitantes e trabalhadores de Brumadinho. Uma cena terrível e desesperadora causada por ações negligentes e inconsequentes devido ao tamanho da proporção que essa tragédia se dá,  atingindo todo o Brasil. Foram poucos minutos  e toda uma vida que havia sido construída, para sempre foi devastada, num único momento, por cerca de 8 metros de lama. Mas acabou? Infelizmente, não! A lama corre até os principais afluentes. Há previsões de mais riscos de rompimentos de mais barragens em Minas.

Costuma-se apontar a corrupção como uma das maiores mazelas da sociedade brasileira. A desonestidade não é uma exclusividade nacional, mas é necessário admitir que “jeitinho e malandragem” são paradigmáticos à ação moral. A ética tem sido deixada de lado e desvalorizada. No nosso país, houve muitas injustiças sociais e ecológicas, com impacto profundo na natureza, dada à ações irresponsáveis por meio da degradação intensa, com desmatamentos e destruição de culturas locais  e até mesmo de povos inteiros. Estes fatos ocasionados no Brasil tem se repetido ao longo dos tempos. A superexploração das terras cultivadas, a industrialização, os gases poluentes, as queimadas, desmatamentos de florestas e construções de barragens destroem todos os ecossistemas de plantas, animais e até seres humanos. Danos irreparáveis, dada a contaminação da água de afluentes com metais pesados, como o mercúrio. Aonde vamos parar?

Importante repensar sobre a Ética.  Etimologicamente, a palavra Ética vem de Ethos, que significa costume, caráter, pensar de forma autônoma e crítica formulando um juízo de valor com  capacidade de decisão em diversos tipos de situações. Apenas quem é ético se volta para ética, dada a autonomia para que se desenvolva um juízo moral, que é capaz de dirigir respeito   aos limites para viver bem e deixar os outros viverem.

As intervenções humanas ignoravam, e muitos ainda ignoram a complexidade que as alterações ecológicas podem causar. Agora,  colhemos os impactos do desequilíbrio ambiental por nós provocados, o que aponta  o quanto não podemos escapar da ganância que coloca em jogo a natureza, o meio ambiente e seres viventes, à medida que buscamos dominá-los.

Mediante a gravidade da situação em que nos encontramos, é vital a importância da retomada da comunicação entre ciência e consciência, entre fato e valor. Conforme pensamento de Morin, a ecologia geral é a primeira ciência que “apela quase diretamente para uma tomada de consciência”.

Lançando-se mão da consciência das interações entre o transcendental e o mundano, entre  os elos que ligam o homem, a sociedade e a espécie, Morin ressalta a importância de se trabalhar para “pensar bem”. O bom pensamento é o pensamento que se alastra a condição humana em sua complexidade e nutre, deste modo, a capacidade de julgar de forma ética e responsiva os protagonistas da catástrofe. O princípio é a orientação para a  solidariedade com as vítimas. Sem solidariedade, sem compaixão e sinergia, ninguém consegue recuperar uma terra ferida. Um fraco mais um fraco, não são dois fracos, mais um forte. Porque a união faz a força, e não apenas isso,  dá o reconhecimento das incertezas futuras quanto às consequências do ato ético. Uma ação ecológica e ética desafia ao desenvolvimento da virtude da prudência e o princípio útil da precaução na análise das circunstâncias e contextos.

Pode Copi@r!

 

 

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