Por Thais Oliveira, Fundação Getúlio Vargas, @thaisrocholi

Resiliência é uma palavra bastante usada no vocabulário dos profissionais de R&S, mas será que os brasileiros possuem esta característica comportamental?

Tenho para mim que uma das maiores emoções da minha vida é ver uma representação num drama de teatro das peças de Nelson Rodrigues, pinceladas de tragédia e humor. Que ímpeto! Que capacidade! Completamente histriônica em suas várias facetas de improvisação!

No exterior, somos reconhecidos como um povo com alto potencial empreendedor. Nossa cultura é a do empreendedor espontâneo, cuja criatividade é um signo que tem bastante relação com as coisas do dia a dia, tal e qual o humor nos afetos e afazeres, como num simples ato de oferecer um cafezinho aos amigos, buscando construir um palco propício para aquilo, tão importante quanto se formar um cenário para apresentar um novo produto ou serviço, criando-se estratégias na comunicação para vender a ideia.

Conforme artigo ” History: A conceptual history of entrepreneurial thought”publicado no Journal of Management, a atividade empreendedora se multiplicou no desenrolar dos séculos XVI e XVII com o conhecimento baseado na experimentação ou nos testes, e, logo, no conhecimento intelectual e cognitivo das habilidades, visando corrigir as ineficiências ou prover novas soluções ou novos produtos.

Dois professores de administração da Universidade Stanford, Jeffrey Pfeffer e Jim Collins, autores de “Power” possuem um senso de resiliência muito aguçado e voltado para os negócios. Eles fizeram um estudo comparativo com a intenção de descobrir o que torna as pessoas mais assertivas e bem sucedidas do que aquelas que não tiveram tanta notoriedade. Dentre as qualidades, eles consideraram a resiliência como um dos atributos mais definidores de características de destaque nas pessoas.

Podemos expressar essa ideia apontando para o fato de que todos nós sofremos adversidades, mas são poucos aqueles que não se deixam atingir por problemas e seguem em frente, sendo o protagonista no palco. Manter-se otimista perante às adversidades é um diferencial. Necessário alimentar a capacidade de se recuperar com rapidez asseveradamente confiante.

No livro “Power” há algumas características inerentes às pessoas resilientes:

1. Eles não absorvem opiniões de pessoas negativas e reclamadoras da vida. Nosso subconsciente tem a função de filtrar o que ouvimos, e os resilientes, ao contrário de serem pessimista, devem mostrar o lado otimista, não se deixando influenciar com o negativismo.

2. Eles são humildes, tem seus consultores pessoais. Profissionais resilientes não são inflados de orgulho, buscam por sábios conselhos, seja através de terapeutas, coachings, ou amigo de confiança. Quem está de fora pode enxergar por um outro viés.

3. Os resilientes buscam evoluir na comunicação, seja de forma escrita ou falada, o aperfeiçoamento é uma arma para se expressar publicamente, assim como o teatro é uma estratégia para improvisar nas horas em que acabam as palavras.

4. Os resilientes não se deixam intimidar com situações embaraçosas, com criatividade e assertividade descobrem uma alternativa para atingir a meta.

Eis então, as quatro observações contidas no livro!

Longe de erudição, mas finalizo deixando uma boa ideia, a de se achegar às peças de teatro, aos musicais, à poesia russa… à adrenalina de uma montanha russa também! Eu encheria páginas e páginas de dicas, mas se falar tudo ficará como um papel esquecido na gaveta de uma mesa!

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